Histórias do presente - Ocupante de um quarto encantado?
Como disse anteriormente, regressei às minhas origens, não por nostalgia, mas sim por obrigação filial. O dever assim me manda.
Como disse anteriormente, regressei às minhas origens, não por nostalgia, mas sim por obrigação filial. O dever assim me manda.
Agora que o tempo escorre mais devagar começo a reencontrar-me nas memórias que esta casa guarda. As recordações têm destas coisas. Trazem um colorido desbotado e mesmo o ar que respiro hoje não tem a mesma frescura de outrora.
Talvez eu tenha crescido demasiado depressa e agora preciso de deixar o tempo assentar, como o pó, para poder ver as coisas mais claramente.
O encantamento deste quarto, desta casa, é que por muitos anos que tenha passado, as histórias e as memórias perduram. Circulam como fantasmas que recusam o esquecimento.
Sento-me na sala como antigamente e há momentos, quando fecho os olhos, que julgo ouvir o Manel e o Benjamim numa disputa com uma bola em frente da casa junto ao cruzeiro.
Não é saudosismo, é memória vívida daqueles tempos que tiveram uma importância chave no meu crescimento.
Porque os personagens dos meus diários tiveram um papel importante na minha adolescência, falarei adiante das pessoas e dos lugares que me marcaram de forma permanente.
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