Histórias do Presente - Porquê?

Porquê?

Já várias vezes me perguntei porque comecei a reescrever o Diário da minha adolescência. De todas as vezes sorri. 


Sempre que virava uma página vivia momentos de profunda imersão. Em cada linha de pura inocência encontrava o meu eu de outrora em êxtase emocional. Comecei a identificar-me com aquele miúdo que começava a crescer. Senti-me orgulhoso.


Entenda-se que o orgulho que sinto não está nos momentos de felicidade ou nos dramas que vivenciei, mas sim na forma como com o tempo acabei por aprender com eles.


Reescrever é pois um retorno ou deverei dizer, um reencontro comigo mesmo. No entanto, esta colecção de Diários, nove para ser mais preciso, nunca teria sido possível se não houvesse uma musa que naquela época me enfeitiçou.


A Odília, Dila como nós lhe chamávamos, se calhar sem o saber influenciou de tal forma o António adolescente que marcou, não de forma indelével, mas sim de forma permanente todos aqueles anos até ele se ter tornado um adulto completo.


A Dila será um tema que abordarei mais adiante nesta minha viagem no tempo.


António Dias


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