Tenho debatido comigo mesmo sobre a real importância de reescrever o passado. Porque é que o faço?
Encontro respostas, mas, mesmo estando num monólogo surdo, descubro que procuro afastar-me da verdadeira razão que me move, que é fazer chegar a “alguém” não a minha voz, mas as minhas palavras.
Existe um lugar à espera de ser descoberto.
Para além do que está visível, existem páginas mais privadas que nunca verão a luz do dia, chamo-lhes um repositório de memórias. Nesse recanto encontram-se recordações, pequenas lembranças daqueles tempos. Imagens, fotos, cartas, pequenos bilhetes...
Também estarão lá as reflexões de ontem, de hoje e de amanhã, um quadro de giz na parede virtual deste blogue.
Questiono-me se devo anunciar a existência desse lugar aqui de forma desvelada.
Porque não? Provavelmente ninguém chegará até este recanto que criei para libertar o espírito. É verdade, reconheço a quase impossibilidade de esse “alguém” estar neste blogue a ler estas linhas neste preciso momento.
Pergunto-me se esse “alguém” chegasse mesmo aqui, de que forma entreabriria uma porta, que lhe é reservada apenas a si sem que outros consigam fazer o mesmo?
É verdade. Não é fácil encontrar uma forma que leve esse "alguém" a esse recanto. Terei de encontrar algo que seja do conhecimento exclusivo de ambos.
Entretanto fica-me um amargo na boca. Mesmo que “ela” encontre a porta que vou deixar entreaberta, nunca saberei que ela vai entrar. Não há forma de saber.
É verdade. Ficarei deste lado, suspenso nessa dúvida. Talvez seja esse o verdadeiro gesto, deixar a porta entreaberta e aceitar o silêncio. Porque há presenças que não precisam de se anunciar.
No fundo, basta-me isso, a possibilidade de que um dia esse espaço deixe de estar vazio.
António Dias
09/06/2026
« Voltar »
Comentários
Enviar um comentário