08/06/2026
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Até agora tenho percorrido diferentes linhas de escrita — Histórias do Presente e Noites de Insónia. Aos poucos, fui percebendo que, para fechar este ciclo do presente, me faltava um gesto mais íntimo, mais desarmado, quase sem mediação.
Foi daí que nasceu Monólogos.
Um espaço onde me sento diante de mim mesmo, sem plateia nem disfarce. Onde as palavras deixam de explicar e passam a expor. Ali, hei-de conversar comigo, revisitar pensamentos, questionar certezas e, sobretudo, libertar-me do que fui acumulando sem dar conta, ideias feitas, pequenos preconceitos, silêncios mal resolvidos.
No fundo, é isso, um lugar onde procuro ser apenas eu.
Quem aqui chega, não vem de passagem. Fica — e, ficando, acaba por ouvir mais do que leu. Há uma conversa que se faz por dentro, sem ruído, onde cada reflexão se cruza com a anterior e abre caminho à seguinte, como se todas se reconhecessem.
E talvez por isso tenha percebido que estes três ciclos não deviam perder-se. Não deviam dissolver-se no tempo como tantas coisas que se escrevem e se esquecem. Em breve, encontrarei forma de os guardar e de os partilhar apenas com quem esteve aqui, desde o princípio, neste silêncio acompanhado.
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