Chove... como lágrimas perdidas
Pela janela observo a rua
poucas pessoas, de passo acelerado,
buscam refúgio do dilúvio que cai.
Os vidros, salpicados de finas gotas d'água,
choram como se guardassem uma dor oculta.
A negrura do céu oculta o azul profundo
o sol, eclipsado, apenas se revela
por entre as nuvens menos densas,
lutando por uma aberta que teima em não surgir.
O vento fustiga as árvores,
a chuva desaba em catadupas.
A pouco e pouco, o ar refresca,
o tempo amacia,
o ambiente torna-se mais leve e brilhante.
O aguaceiro torrencial converte-se numa parca lamúria
leves pingos escorrem dos céus
e, da sua passagem,
restam apenas pequenos riachos de água
que se perdem pelo empedrado dos caminhos.
Lentamente, soçobrada a tempestade,
a bonança surge em silêncio
após o burburinho tumultuoso.
Tal como a tristeza, lavada pelas lágrimas,
a acalmia dissipa as sombras
até irromperem os primeiros raios de sol.
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