Chove... como lágrimas perdidas


Pela janela observo a rua

poucas pessoas, de passo acelerado, 

buscam refúgio do dilúvio que cai.

Os vidros, salpicados de finas gotas d'água, 

choram como se guardassem uma dor oculta. 

A negrura do céu oculta o azul profundo 

o sol, eclipsado, apenas se revela 

por entre as nuvens menos densas, 

lutando por uma aberta que teima em não surgir.

O vento fustiga as árvores, 

a chuva desaba em catadupas. 

A pouco e pouco, o ar refresca, 

o tempo amacia, 

o ambiente torna-se mais leve e brilhante. 

O aguaceiro torrencial converte-se numa parca lamúria 

leves pingos escorrem dos céus 

e, da sua passagem, 

restam apenas pequenos riachos de água 

que se perdem pelo empedrado dos caminhos.

Lentamente, soçobrada a tempestade, 

a bonança surge em silêncio 

após o burburinho tumultuoso.

Tal como a tristeza, lavada pelas lágrimas, 

a acalmia dissipa as sombras 

até irromperem os primeiros raios de sol.


in “Lampejos”

por Castro Dias

Setembro de 2026

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