O aniversário de Lina
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 1977
Este dia foi comemorado com os dezasseis anos da Lina. Levantei-me tarde, tomei o pequeno-almoço e saí com o meu pai até ao marceneiro. Fomos à procura daquilo de que precisávamos, mas regressámos sem conseguir o que pretendíamos. Quando chegámos a casa, almoçámos, e o resto da manhã ficou para trás sem ter acontecido nada de especial. Durante a tarde continuei a estudar o TCHI-TÉ, o estilo de artes marciais que vinha a desenvolver por minha conta. Depois ouvi música e fui tomar uma vacina. Já no fim da tarde, treinei com o Manel, mantendo a rotina dos últimos dias, como se o dia tivesse de continuar a ser dividido entre o estudo, a música e os treinos. À noite, depois do jantar e de ver a «Gabriela», o Manel, o Victor e o Zé Carlos vieram a minha casa. Depois fomos todos a casa da Lina para festejar os seus dezasseis anos. A festa prolongou-se até à uma e um quarto. Eu, porém, não consegui divertir-me. Talvez porque, por baixo da festa e da presença de toda aquela gente, havia uma coisa que me interessava muito mais do que a própria festa. Eu queria ter um momento com a Lina, queria despedir-me dela de outra maneira, mas isso não aconteceu.
Quando chegou a hora de vir embora, não me despedi dela como pretendia. E, pelo que senti, ela também não se despediu de mim como teria querido. Fiquei com essa pequena frustração comigo. Uma festa pode estar cheia de pessoas, de vozes e de movimento e, ainda assim, deixar-nos com a sensação de que aquilo que realmente esperávamos aconteceu precisamente onde não devia acontecer, não aconteceu.
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