O calor da noite

 

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Quarta-feira, 7 de Setembro de 1977 

Dormi mal de ontem para hoje. O calor e os mosquitos não me deram descanso e, quando finalmente me levantei, já era hora de almoço. O dia começou assim, atrasado e pesado, como se a noite ainda não tivesse acabado dentro de mim.

Durante a tarde o calor apertou ainda mais. Deitei-me na sala a ler e a ouvir música, procurando naquele sossego uma maneira de suportar as horas. Pelas sete chegou o Manel e, pouco depois, o Victor. Quando este último chegou, fechámo-nos na minha sala e sentámo-nos em Zazen (*). A experiência, porém, durou pouco.

Depois de jantar vi televisão. Mais tarde, o Manel acompanhou-me a casa da Lina. Lá juntaram-se a nós o Victor e o Cristóvão. Estive quase sempre em diálogo curto com a Lina e com o tio. Não havia muito espaço para conversas prolongadas, mas bastava estar ali para sentir a sua presença.

Às onze horas viemos embora. O Cristóvão e o Victor ainda vieram comigo até minha casa e ficaram a ver televisão.

Foi um dia marcado pelo calor, pelo pouco sono e por encontros que acabaram por se suceder quase naturalmente. Mesmo quando nada de especial acontece, há dias que deixam qualquer coisa no pensamento. Talvez porque aquilo que procuramos nem sempre esteja no acontecimento, mas na pessoa que esperamos encontrar dentro dele.


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(*) Zazen - Posição de meditação usada nas artes marciais

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