Os teus olhos...

Quantos sonhos, 

quantas noites de insónia desmedida, 

quando o silêncio pesava nas horas 

e a alma procurava um rumo na penumbra. 

Eles foram faróis acesos na solidão, 

pequenas centelhas que cortavam o breu 

e aqueciam o peito desamparado.

Perdi-me deles por caminhos longínquos, 

nas curvas apertadas que a própria vida impôs, 

mas guardei-os intactos, guardados no segredo 

de nunca terem sido verdadeiramente esquecidos. 

E agora, por um milagre manso do tempo, 

eis que regressam, resgatados à distância, 

como prados extensos que se abrem à luz 

e enriquecem este vasto universo 

que me alberga e me acolhe, 

envolvido na sua mansa e eterna cor esmeralda.



in “Lampejos”

por Castro Dias

Agosto de 2026

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