Palavras por dizer...
As mínguas palavras,
convertidas nas breves frases que me traças,
tentam ocultar o pulsar do teu coração.
(Mas eu sinto-o, no fundo do teu silêncio.)
Que receio velado te prende os lábios?
O que te impede de libertar o que o espírito ordena?
Não gostarias de deixar fluir o sentimento que te oprime o peito?
As palavras não são armas que ferem,
nem escudos onde te possas esconder.
Têm antes o condão suave de nos fazer companhia,
constantes como a sombra que projectamos na luz.
Mesmo quando não as pronuncias,
elas ressoam na mente com a força de um sussurro.
Não são os julgamentos dos outros que nos travam,
é o temor de que, ao dar-lhes voz,
nos roubem aquilo que é só nosso.
Receias a fragilidade de te mostrares assim?
Sentes a vertigem de te expores ao mundo?
Temes o que os outros possam dizer sobre o que ignoram,
ou tens medo de despertar um coração dormente?
Terás medo de viver, de sentir... ou até de…?
Ousarei dizer o que me habita o pensamento?
Ousarei desvendar o que te vai no coração?
Não… Não o farei…
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