Palavras por dizer...

As mínguas palavras, 

convertidas nas breves frases que me traças, 

tentam ocultar o pulsar do teu coração. 

(Mas eu sinto-o, no fundo do teu silêncio.)

Que receio velado te prende os lábios? 

O que te impede de libertar o que o espírito ordena? 

Não gostarias de deixar fluir o sentimento que te oprime o peito?


As palavras não são armas que ferem, 

nem escudos onde te possas esconder. 

Têm antes o condão suave de nos fazer companhia, 

constantes como a sombra que projectamos na luz.

Mesmo quando não as pronuncias, 

elas ressoam na mente com a força de um sussurro. 

Não são os julgamentos dos outros que nos travam, 

é o temor de que, ao dar-lhes voz, 

nos roubem aquilo que é só nosso.


Receias a fragilidade de te mostrares assim? 

Sentes a vertigem de te expores ao mundo? 

Temes o que os outros possam dizer sobre o que ignoram, 

ou tens medo de despertar um coração dormente? 

Terás medo de viver, de sentir... ou até de…?

Ousarei dizer o que me habita o pensamento? 

Ousarei desvendar o que te vai no coração? 


Não… Não o farei…


in “Lampejos”

por Castro Dias

Agosto de 2026


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