Palavras virtuais
Vivemos através da luz fria dos ecrãs,
onde projectamos apenas uma sombra polida,
uma imagem desenhada pela imaginação.
Mas o coração não se alimenta de reflexos,
pede a vida que se respira no mesmo espaço.
Na realidade do chão que pisamos,
sem a armadura das palavras cuidadosamente escolhidas,
ficamos expostos na nossa verdade.
Somos mais humanos, mais palpáveis,
com os defeitos e a beleza crua
que só a presença permite abraçar.
Ouvir a tua voz sem filtros de entremeio
é acolher a vibração mais funda do teu peito.
No olhar directo, sem evasivas,
apreende-se a gravidade do compromisso
ou a hesitação que esconde uma fraqueza.
Podes encantar-me com a intenção das tuas frases,
mas é olhos nos olhos
que quebramos a barreira do invisível.
Dissipa-se o verniz do discurso
e o que resta não é uma pureza inventada,
mas a sinceridade pura que o olhar jamais saberá ocultar.
Lado a lado, frente a frente,
no calor de um mesmo instante,
olhos nos olhos, o coração desperta
e o mundo virtual desmorona-se.
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