Uma conversa inesperada
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 1977
De manhã, como já vem sendo hábito, tomei o pequeno almoço ao meio-dia e almocei mais tarde. As manhãs continuam a começar tarde, numa espécie de preguiça própria destes dias de Verão, em que as horas parecem ter menos pressa do que eu.
Durante a tarde, até às sete menos um quarto, estive sempre em casa a ouvir música. Depois fui para a Academia. Na Covilhã esperavam-me a Lina e o Rui, um outro colega. Estive algum tempo com eles e depois fui de vez para a Academia.
Quando regressei, esperavam-me o Victor, o Manel e o Zé Carlos. Depois de jantar, eu e o Victor, que tinha vindo comigo, fomos ter com os outros. Mas, claro, havia uma razão especial para eu querer ir ter com eles. Eu ia encontrar-me com a Lina.
Quando a acompanhava a casa, aconteceu uma coisa que me surpreendeu. A irmã da Lina falou-me. Não estava à espera que o fizesse e, talvez por isso mesmo, aquele momento me tenha causado alguma estranheza. Junto de casa principiou uma discussão cujo alvo era o «CONTRA-POR». A certa altura, porém, eu já estava de parte e ela já se dava bem comigo.
Foi curioso. Uma pessoa que até então eu sentia distante e que parecia olhar para mim com alguma desconfiança estava agora a falar comigo de outra maneira. Talvez as coisas estivessem, pouco a pouco, a mudar sem que eu desse por isso.
Antes da meia-noite quis ainda despedir-me do meu pai, que partiria depois da meia-noite para a festa do «AVANTE». Fui procurá-lo, mas não o vi. Acabei por vir embora, ainda com a companhia do Victor e do Manel.
O dia terminou assim, entre a Academia, os amigos e a Lina, mas foi aquela conversa inesperada com a irmã dela que acabou por ficar mais presente no meu pensamento. Às vezes, basta uma palavra que não esperávamos para alterar a maneira como vemos alguém.
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