A espera inútil

Domingo, 15 de Janeiro de 1978

A Lina continua de cama.

Através de uma colega, ela disse-me que amanhã é certo que não vai trabalhar e pede-me para eu não a ir esperar. Pela mesma colega, desejei-lhe as melhoras.

Não há muito mais que eu possa fazer. Sei que está doente e sei que não vale a pena ir procurá-la, porque ela própria me fez saber que não estará lá.

Mesmo assim, passei a tarde aborrecido.

Talvez porque já me habituei a contar com a presença dela nos meus dias. Quando um encontro deixa de acontecer, fica um vazio que não é fácil preencher. Hoje não há Lina, não há espera, não há sequer a possibilidade de um encontro inesperado.

Fico simplesmente com a tarde pela frente e com a sensação de que o dia não passa.

Amanhã será outro dia.


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