Palavras…
Palavras…
As palavras, por vezes, inquietam-me o peito —
não pelo que dizem,
mas pelo eco estranho
que ganham na boca alheia,
pelo espelho torto
em que se transformam
quando outros olhos as leem.
As palavras são taças transbordantes de emoção:
guardam paixões antigas,
amores que ainda ardem,
mas também guardam o drama
que se esconde nas entrelinhas.
A alegria pode florescer entre sílabas,
pode sorrir, dançar, cantar —
mas essa mesma alegria,
por vezes,
traz consigo o sal das lágrimas,
como se todo o riso
tivesse uma sombra gémea.
As palavras são mensageiras antigas,
correios de fortuna e de festa,
mas também podem ser
rio tumultuoso e escuro,
carregando, na corrente,
lágrimas infindas,
dores que não têm margem.
Porém — e digo-o baixinho,
como quem confessa um segredo —
todas as minhas palavras
nascem no coração,
ali se acendem,
ali se moldam,
antes de subirem à voz.
E essas,
essas não mentem,
não enganam,
não escondem intenções sombrias
capazes de ferir
a paz e a harmonia
de quem, do outro lado,
me lê
e, por um instante,
me empresta os seus olhos.
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