Viver..
Saí de casa sem destino certo
Mas com um propósito
Estar comigo mesmo
Levei os pensamentos
Como companhia
Não procurei pessoas
Evito-as
Quando a minha companhia
São os pensamentos
A natureza
É o meu refúgio natural
Subo á serra
Os meus passos
Levam-me algures
Onde não sei
Para além do uivar do vento
Na copa das árvores
O som dos meus passos
Na gravilha desgrenhada
Acompanham
A sombra
Que me segue para todo o lado
Paro algures
Num alto
Inspiro fundo
O ar matinal
Que se desenrola
nos farrapos de nevoeiro
Que se estende
Até onde a vista alcança
As aves silenciosas
Parece esperarem
Que o tic-tac do tempo
Faça surgir por detrás das serras
Os primeiros raios de sol.
Mantenho-me de olhos cerrados
Á espera da cacofonia
Da natureza a despertar
Primeiro silêncio
Depois um ligeiro clamor
Anuncia a chegada
Do príncipe da manhã
Do rei do dia
Que ao levantar-se
do seu leito nocturno
Desperta a mole humana
Que como formigas
Enche os carreiros
E caminhos
Eu
Agora desperto
Volto á vida
Neste universo que me acolhe
Os passos
Devolvem-me ao caminho
Entregam-me ao meu destino
Que é viver...
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