Viver..

Saí de casa sem destino certo

Mas com um propósito 

Estar comigo mesmo 


Levei os pensamentos 

Como companhia 

Não procurei pessoas 

Evito-as

Quando a minha companhia 

São os pensamentos 


A natureza 

É o meu refúgio natural 

Subo á serra 

Os meus passos 

Levam-me algures 

Onde não sei


Para além do uivar do vento

Na copa das árvores 

O som dos meus passos

Na gravilha desgrenhada

Acompanham

A sombra

Que me segue para todo o lado


Paro algures

Num alto

Inspiro fundo

O ar matinal

Que se desenrola 

nos farrapos de nevoeiro

Que se estende

Até onde a vista alcança 


As aves silenciosas

Parece esperarem

Que o tic-tac do tempo

Faça surgir por detrás das serras 

Os primeiros raios de sol.


Mantenho-me de olhos cerrados

Á espera da cacofonia 

Da natureza a despertar


Primeiro silêncio 

Depois um ligeiro clamor

Anuncia a chegada

Do príncipe da manhã 

Do rei do dia

Que ao levantar-se 

do seu leito nocturno

Desperta a mole humana

Que como formigas

Enche os carreiros

E caminhos


Eu

Agora desperto

Volto á vida

Neste universo que me acolhe


Os passos 

Devolvem-me ao caminho

Entregam-me ao meu destino

Que é viver...


in “Lampejos”

por Castro Dias

Setembro de 2026

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