Além-vida
Segunda-feira, 10 de Julho de 1978
Imagino-me fora do meu próprio corpo, sem conseguir compreender o que se passa à minha volta. Vejo o meu corpo no chão, as pessoas que estão junto dele e uma outra pessoa que parece estar completamente afastada de tudo. Há sangue, há uma lâmina e há aquele sorriso que não consigo entender.
Além-vida
Ali, a menos de dois metros
Jazia inerte o meu corpo
E eu não compreendia
Vozes, lamentações e mesmo gritos
Junto ao meu corpo inerte que ali jazia
E eu não compreendia
Só uma pessoa parecia distante
Sem se importar com os outros, nem comigo
Com os olhos fixos na abóbada celeste
Parecia sonhar
Julguei ver nos seus lábios um sorriso
Que sorria para mim
E eu não compreendia
Junto do meu corpo uma poça de sangue
Que deixara de fervilhar nas minhas veias
Um longo e fino fio de sangue
Jorrava do peito da pessoa que sorria
E eu não compreendia
E o meu corpo jazia inerte
Entre ambos, a lâmina criminosa e indolente
E eu não compreendia.
Danton Von Iasa
É como se estivesse ali, mas já não fizesse parte daquele corpo. Vejo tudo, ouço tudo, mas não consigo compreender. E o que mais me impressiona é aquela pessoa que sorri, enquanto tudo à sua volta parece acontecer por causa da morte.
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