Amo-te ó Terra!

Segunda-feira, 24 de Julho de 1978

Hoje acordei com raiva do mundo e acabei a escrever sobre a terra. Não sei explicar como uma coisa leva à outra, mas foi o que saiu.

Amo-te ó Terra!

Que a terra abra brechas
E trague esse animal que vegeta a sua superfície
Que a guerra cesse a sua canção
Que as vísceras se transformem em pedra
Tu homem, tu que és pó, morre
Tu que és vento, morre
Tu que não é nada, morre!
Que perco? Que ganho com a tua destruição?
És o amor, fruto do amor que dei
Amo-te ó Terra
Quando de madrugada acordo
Pelo som silencioso da neve que cai no Inverno
Amo-te ó Terra
Quando acordei pela primeira vez e estava só
Quando abri os olhos e vi
Quando descobri que estava só, chorei!
Amo-te ó Terra
Por escutares as minhas súplicas
Amar-te-ei ó Terra
Quando me trouxeres a morte.

Danton Von Iasa

Comecei por querer que a terra engolisse o homem e acabei a pedir-lhe a morte. Entre uma coisa e outra descobri que estava só. Talvez tenha sido sempre sobre isso.


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