Os fantasmas da memória
Sábado, 22 de Julho de 1978
Há coisas que aparecem quando tudo se cala. Depois volta o ruído, e desaparecem outra vez.
Os fantasmas da memória
Não eram da nossa condiçãoMas misturaram-se connoscoEscravizaram o nosso olharE despertaram em nós a atençãoPrimeiro chegaram disfarçadosComo que temendo a multidãoApós longo tempo recearam o diálogoE só apareciam quando havia silêncioMas de novo se escapuliam ao primeiro somOu se os músculos da faceDenunciassem a intenção de uma palavra surgirSó lhe percebíamos as feiçõesQuando se sentiam segurosQuentes e aconchegadosOlhamos para elesCom o interesse próprio de algo que nunca se viraEram "algo" que nos atingia profundamenteChegou a ignorância e foram esquecidos
Danton Von Iasa
Chegaram quando havia silêncio e fugiram ao primeiro som. Depois veio a ignorância e ficaram esquecidos. Não sei se falo de fantasmas ou de pessoas. Talvez sejam a mesma coisa.

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