Prólogo
Ecos da Primavera
Há momentos na vida que nascem sem aviso, como um sopro de vento que agita as folhas ou um raio de sol que rompe inesperadamente entre as nuvens. Não sabemos, naquele instante, que algo mudou—só mais tarde percebemos que um novo caminho se abriu sob os nossos pés.
A Primavera não se mede apenas pelo desabrochar das flores ou pelo azul mais límpido do céu. Mede-se pelos corações que despertam, pelas promessas que se insinuam no silêncio e pelo encanto que se entranha no olhar sem que disso tenhamos plena consciência.
Foi assim que começou. Um acaso, um vislumbre, um mistério ainda sem nome. Entre passos incertos e a pressa de viver, sem saber ao certo o que procurava, fui traçando um caminho feito de palavras, gestos e sensações que até então desconhecia.
Este foi o princípio. O princípio de algo que me escapava à compreensão, mas que, sem dar conta, começava já a enraizar-se na alma.