Prólogo

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Ecos da Primavera

Há promessas que fazemos quando ainda não sabemos o peso das palavras. Ditas com a leveza de quem tem quinze anos e acredita que o tempo é infinito. Guardadas depois em silêncio, durante tanto tempo que chegamos a convencer-nos de que as esquecemos.

Não esquecemos.

Em 1975 disse-lhe que estava a escrever um diário e que um dia lho traria para ler. Ela sorriu. Eu acreditei no que disse. E depois a vida aconteceu, com tudo o que a vida traz, e a promessa ficou dobrada algures no fundo de uma gaveta, debaixo de nove cadernos que ninguém voltou a abrir.

Até 2024.

Não sei bem o que me levou a pegar neles naquele dia. Talvez a consciência de que certas coisas não prescrevem, por mais anos que passem. Ou talvez apenas a vontade, finalmente, de ser fiel àquele rapaz de quinze anos que escrevia com uma seriedade que ainda hoje me surpreende.

O que está nestas páginas é verdade. Não a verdade arrumada de quem reescreve o passado para se sair melhor, mas a verdade crua de quem sentiu o que sentiu e teve a honestidade de o registar. Com a ingenuidade da idade, com os exageros da idade, com a intensidade que só a idade permite.

Dila, se um dia chegares a ler isto, fica a saber que nunca me esqueci do que te prometi.

O resto, deixo que as páginas digam.

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