Carta 6

22 de Agosto de 2026

Olá Dila,

Passei esta noite a esboçar rascunhos na minha cabeça, da carta que “obrigatóriamente” tinha de te escrever.

Felizmente, para ti, nenhum deles conseguia dizer o quão pesaroso foi para mim ler a tua reação a um poema que escrevi.

Não vou insultar a tua inteligência com um lugar comum como “todos nós cometemos erros”. Acontece que eu não cometi um erro. Eu explico.

Deixei-me levar no impulso de um momento criativo, repara que não digo emocional. Para o leitor comum, a leitura deste poema traria um outro tipo de luz. Mas tens razão, transcendi o valor e a importância do que escrevera sem medir o quanto isso te iria perturbar.

Não te vou prometer que vou ser uma pessoa diferente daqui em diante, nem vou levantar um muro para conter as minhas palavras. No entanto, vou mostrar-te que a pessoa que sou não oculta intenções nem objectivos obscuros. O teu coração está seguro e eu fico feliz por isso. O meu também.

Nunca te ocultei o meu objectivo inicial. Cumprir uma promessa. E se eu tiver a tua “companhia” até ao fim da publicação dos meus diários, considerarei cumprida a mesma.

Já o disse, mas repito, és importante para mim como co-autora e musa neste projecto, porque és a melhor pessoa para criticar ou rectificar o que faço. Isso traz-me imensa gratidão.

Espero que este episódio não belisque a nossa “amizade” ou aquilo que nos liga, ainda que por um fio ténue, ao passado.

Grato pela tua compreensão.

Um amigo do passado… no presente,

António

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