Entre Conversas e Festa

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Domingo, 3 de Julho de 1977

Hoje foi o dia de encerramento das festas de São Pedro.

De manhã fui com uma colega à missa.

À tarde fui ter com alguns colegas ao adro da igreja. Passámos grande parte da tarde juntos, a passear e a conversar.

O tema principal da conversa foi a desigualdade de amizade dentro dos grupos da igreja. Cada um tinha a sua opinião e fomos falando do assunto enquanto caminhávamos.

No fim da tarde vi fogo preso pela primeira vez.

Fiquei a observar o espectáculo com curiosidade. Há qualquer coisa de especial nestas festas. Durante alguns dias, as ruas parecem pertencer a toda a gente e as pessoas encontram-se com uma facilidade que não acontece no resto do ano.

À noite voltei a sair com os meus colegas.

Foi então que encontrei a Gisela.

Estabeleci com ela um pequeno contacto. Nada de especial, apenas algumas palavras e aquele primeiro reconhecimento entre duas pessoas que começam a reparar uma na outra.

Depois fomos a casa do Manel buscar uma garrafa de vinho.

Viemos para minha casa e bebi pouco. Mesmo assim, achei graça a fingir que estava «tocado» antes de regressar a casa.

A noite acabou por ser muito divertida.

Estive com muitos colegas e, por algumas horas, não pensei em mais nada.

Quando agora olho para o dia inteiro, parece-me que houve uma diferença qualquer entre a manhã e a noite.

De manhã estava na igreja.

À tarde discutia com os colegas sobre amizade.

À noite já estava no meio de um grupo, a rir e a conversar, e até apareceu uma pessoa nova no meu caminho.

Talvez esteja simplesmente a conhecer melhor as pessoas que me rodeiam.

Ou talvez esteja a começar a perceber que há muito mais gente à minha volta do que aquela que eu costumava ver.

Ainda não sei o que isso significa.

Por enquanto, foi apenas um dia muito bem passado.


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