O Colete
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Segunda-feira, 4 de Julho de 1977
De manhã fiz ginástica com o Manel.
Quando ele se foi embora, fiquei em casa e acabei de ler um livro até à hora do almoço.
Depois do almoço fui para o DIFI.
Agora já quase só vou lá porque os outros colegas se demitiram. O ambiente mudou. Ainda há coisas para fazer, mas já não é a mesma coisa de antes. Fiquei por lá algum tempo, até o Manel aparecer.
Depois fomos para a biblioteca da igreja.
A certa altura, o Manel envolveu-se numa discussão que acabou por nos fazer pensar. A conversa aqueceu e, durante algum tempo, não foi fácil perceber onde iria acabar. Curiosamente, quem falou contra nós acabou por mostrar estar do lado da posição que defendíamos.
Quando tudo acalmou, vim a casa lanchar.
Voltei depois à biblioteca para ensaiar.
Antes de irmos embora, ainda festejámos o aniversário de um colega. Foi uma pequena comemoração, sem grande preparação, mas acabou por proporcionar mais um daqueles momentos que aparecem no meio dos dias sem estarem previstos.
À noite eu, o Manel e outro colega fomos passear.
Ficámos algum tempo pelas ruas, conversando e brincando uns com os outros..
Foi também hoje que eu e o Manel começámos a moda do «colete».
A ideia nasceu quase por acaso e, como tantas coisas entre amigos, depressa ganhou graça suficiente para ser levada a sério.
Agora temos uma nova moda.
Talvez daqui a uns dias já ninguém se lembre dela.
Mas hoje divertimo-nos com isso.
É curioso como estas férias estão a ser feitas de coisas tão diferentes.
Há dias em que fico sozinho a ler.
Noutros, passo horas com o Manel e outros colegas.
Há o DIFI, os ensaios, a igreja e agora até uma moda que nasceu de uma brincadeira.
A vida parece estar a encher-se de pequenas coisas.
E começo a perceber que talvez seja assim que os horizontes se alargam, não através de uma grande mudança, mas de muitas pequenas experiências que vão ocupando o espaço que antes estava vazio.
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