Entre um livro e o cansaço

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Quarta-feira, 14 de Setembro de 1977

Na manhã de quarta-feira levantei-me com uma intenção muito simples. Queria finalmente acabar a leitura de um livro que tinha começado nos dias anteriores. Peguei nele e comecei a ler, procurando avançar até às últimas páginas. Mas, apesar da vontade de o terminar, não consegui chegar ao fim.

Fiquei com a sensação de que ainda faltava pouco. Talvez por isso, durante a tarde voltei à leitura. Continuei de onde tinha ficado e fui avançando lentamente pelas páginas. Começaram, porém, a aparecer algumas dores de cabeça. Não eram suficientes para me obrigarem a parar, mas tornavam a leitura menos agradável e faziam sentir o peso do dia.

Mesmo assim, continuei.

Queria acabar o livro e, embora não o tenha conseguido, fiz durante a tarde praticamente o mesmo que tinha feito de manhã. Passei boa parte do dia entregue àquela leitura, numa espécie de isolamento tranquilo. Não havia grandes acontecimentos à minha volta e também não parecia haver necessidade deles. Depois do movimento dos últimos dias, entre o passeio, a Lina, o treino e a aventura com o Manel na casa do padre, aquele dia tinha assumido um ritmo completamente diferente.

No fim da tarde, o cansaço acabou por vencer-me. Deitei-me e adormeci.

Acordei às sete horas. Ainda não tinha passado muito tempo quando, cerca de meia hora depois, apareceu o Manel para fazermos ginástica.

Assim terminou um dia que pouco mais teve para me oferecer do que um livro que teimava em não chegar ao fim, algumas dores de cabeça e uma sesta inesperada. Nem todos os dias precisavam de acontecimentos extraordinários. Havia dias que simplesmente passavam, silenciosos, enquanto nós continuávamos a crescer sem dar por isso.

E talvez fosse essa a verdadeira particularidade daqueles dias. Enquanto eu pensava que apenas esperava pelo momento seguinte, alguma coisa em mim ia mudando lentamente.


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