O peso dos sonhos desfeitos
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 1977
A noite anterior tinha terminado tarde, e talvez por isso o corpo me tenha cobrado de manhã aquilo que lhe devia. Levantei-me com as pernas doridas, muito doridas, depois da corrida do dia anterior. Passei grande parte da manhã sentado, sem grande vontade de fazer outra coisa. As pernas lembravam-me a cada movimento o esforço que tínhamos feito.
Durante a tarde, uma parte do tempo passei-a a ler um livro volumoso, "Mau Tempo no Canal" de Vitorino Nemésio. Quando já não me apetecia continuar, deitei-me e deixei o resto da tarde passar assim, entre a leitura e o descanso.
Pelas seis e meia chegou o Manel. Vinha muito desanimado. Tinha recebido uma carta da rapariga que representava para ele o seu ideal e aquela carta destruíra por completo os sonhos que tinha alimentado. Percebi nele uma tristeza que não precisava de muitas explicações. Há momentos em que uma carta pode ser suficiente para derrubar aquilo que alguém construiu durante muito tempo dentro de si.
Pouco depois chegaram o meu pai e o Victor e fizemos ginástica até perto das oito e meia. Talvez tenha sido uma maneira de ocupar o corpo depois de um dia em que as preocupações dos outros também acabaram por pesar sobre mim.
Depois jantei e vi televisão. Assisti à «Gabriela» e à «Cornélia». Assim terminou um dia aparentemente simples, mas que ficou marcado pela tristeza do Manel.
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