Um dia quase todo nosso

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Domingo, 4 de Setembro de 1977

Eram sete horas da manhã quando me levantei ao som da voz do Victor a chamar-me. Pouco depois, já eu, o Victor e o Manel estávamos em calções, preparados para uma corrida. Partimos com a disposição de quem ainda não sabe o que as pernas vão dizer quando a vontade começar a desaparecer. Uma hora e meia mais tarde chegámos a casa completamente estafados. Com a ajuda de uma mangueira, tomámos os três um banho delicioso ao ar puro. Depois daquele esforço, soube ainda melhor.

Mais tarde fomos à missa e estive com a Lina. Durante a tarde estivemos juntos em quase todos os momentos. A proximidade entre nós começava a tornar-se uma coisa natural, embora cada instante continuasse a ter para mim uma importância especial. No fim da tarde fui levá-la a casa. Eram sete e meia.

Às nove menos um quarto vim jantar a casa e, pouco depois, voltei para casa da Lina. Durante algum tempo entretive-me com um jogo. Depois chegou a altura de me despedir. Beijei-a como habitualmente e despedi-me várias vezes, mas nenhuma dessas despedidas pareceu ser definitiva. Acabei por só vir embora à uma hora da madrugada, porque entretanto fiquei a falar com o Cristóvão, um novo colega.

Quando finalmente regressei a casa, o dia já tinha ficado para trás há muito. Tinha começado cedo, com uma corrida que me deixou as pernas doridas, e acabava tarde, depois de tantas horas passadas junto da Lina. Talvez tenha sido isso que tornou este domingo diferente. Quase tudo o que aconteceu pareceu levar-me até ela, como se o resto do dia fosse apenas o caminho.


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