O ritmo dos dias

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Segunda-feira, 30 de Maio de 1977

Acordei à hora do costume.

O fim-de-semana passara depressa e, sem dar por isso, voltava à rotina das aulas.

Saí de casa ainda com o ar fresco da manhã e apanhei o trólei para o Porto.

O trânsito estava mais intenso do que era habitual e acabei por chegar ao liceu alguns minutos depois da campainha.

Entrei na sala discretamente. O professor limitou-se a olhar para mim por cima dos óculos e fez um gesto para que me sentasse.

As aulas decorreram sem sobressaltos.

Quando terminaram, fui almoçar à cantina.

No regresso vim no mesmo trólei que a Gisela.

Não falamos.

Ao chegar a casa, deitei-me um pouco a descansar.

Precisava de recuperar energias, mas também de afastar da cabeça o cansaço acumulado das últimas semanas.

Mais tarde sentei-me à secretária para estudar História.

Gravei primeiro uma cassete com a matéria e depois ouvi-a enquanto acompanhava o livro.

Descobri que aquele método me ajudava a memorizar melhor as datas e os acontecimentos.

Passei assim boa parte da tarde.

Ao princípio custava-me permanecer muito tempo concentrado.

Agora começava a sentir que estudar também era uma forma de organizar os pensamentos.

Quando anoiteceu, jantei com a família e depois vi um pouco de televisão.

Nada de especial acontecera naquele dia.

Ainda assim, ao deitar-me, tive a sensação de que os dias começavam a adquirir um ritmo diferente.

Já não esperava que alguma coisa viesse alterar aquilo que estava a viver.

Limitava-me a seguir em frente, um dia de cada vez.


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