Um horizonte mais largo
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Domingo, 29 de Maio de 1977
Levantei-me cedo.
O meu pai já estava preparado para sairmos.
Como fazíamos de vez em quando, decidimos fugir durante algumas horas ao movimento e ao ruído da nossa terra e subir até à Serra da Pia.
O ar da manhã era fresco.
À medida que caminhávamos pelos caminhos de terra, parecia que o mundo ia ficando para trás.
Fizemos alguma ginástica, conversámos sobre coisas simples e tirámos algumas fotografias.
O meu pai, entusiasmado com os bastões que andava a experimentar, pediu-me que lhe tirasse algumas fotografias. Rimo-nos quando nenhuma ficava exactamente como ele queria.
Mais tarde voltou a casa para buscar o pequeno-almoço e regressou acompanhado pela minha irmã Celeste.
Sentámo-nos os três a comer, rodeados apenas pelo silêncio da serra e pelo canto dos pássaros.
Havia uma tranquilidade difícil de encontrar noutros lugares.
Ficámos por ali até perto do meio-dia, antes de regressarmos a casa.
Depois do almoço vi um pouco de televisão e, como habitualmente aos domingos, fui para o DIFI.
Durante toda a tarde estivemos reunidos.
Havia assuntos para discutir, decisões para tomar e trabalho para organizar.
As horas passaram depressa e só regressámos já bastante tarde.
Cheguei a casa cansado.
Jantei com a família e, antes de me deitar, ainda vi um pouco de televisão.
Enquanto apagava a luz do quarto, lembrei-me da manhã passada na serra.
Ali, por momentos, tudo parecera simples.
Bastava olhar à minha volta para sentir que o mundo era maior do que as preocupações que me acompanhavam todos os dias.
Mas, ao regressar a casa, percebi que certos pensamentos viajam connosco.
Podemos afastar-nos dos lugares.
De nós próprios é muito mais difícil.
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