A vida continua

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Sábado, 28 de Maio de 1977

Levantei-me cedo e fui para o liceu.

A manhã decorreu como tantas outras. Entre duas aulas tive os habituais furos e aproveitei para ir até à Electro Povo com um colega. Gostava daqueles pequenos desvios à rotina. Faziam o dia parecer menos pesado.

Voltámos a tempo da última aula e, quando terminou, fui almoçar com a minha irmã, a Rita e a minha sobrinha.

O restaurante estava cheio de gente e o ambiente era animado.

A minha sobrinha, como sempre, ocupava-se a descobrir tudo o que a rodeava. Bastava uma palavra ou uma careta para a fazer rir. Dei por mim a brincar com ela durante boa parte do almoço, enquanto as conversas entre os adultos iam mudando de assunto sem grande importância.

A Rita mantinha a mesma serenidade de sempre.

Conversava naturalmente, sorria com facilidade e escutava mais do que falava. Havia nela uma tranquilidade que tornava tudo simples.

Quando terminámos a refeição, trouxe a minha sobrinha comigo até casa.

Mal cheguei, os meus colegas já esperavam por mim.

Pousei os livros, descansei apenas o tempo suficiente para recuperar o fôlego e seguimos para o DIFI.

Passámos a tarde ocupados com os trabalhos do grupo.

Entre arrumações, planos e conversas, as horas passaram quase sem dar por isso.

Aquele pequeno espaço começava a parecer uma segunda casa. Cada um tinha a sua tarefa e todos sabíamos exactamente o que fazer. Havia qualquer coisa de reconfortante naquela sensação de pertença.

Ao fim da tarde regressámos.

Fiquei ainda algum tempo à conversa com os meus colegas antes de entrar em casa.

Jantei e, já cansado, deitei-me um pouco a descansar.

Enquanto o sono demorava a chegar, pensei como os dias se tinham tornado diferentes.

Continuavam cheios.

Continuavam ocupados.

Mas havia uma parte de mim que permanecia em silêncio, como se esperasse alguma coisa que eu ainda não sabia o quê.

Acabei por adormecer sem encontrar resposta.


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