Quando um Lugar Começa a Esvaziar-se
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Sexta-feira, 1 de Julho de 1977
De manhã o Manel veio a minha casa.
Fizemos ginástica e, depois, fomos juntos ao DIFI.
Já esperava encontrar alguma coisa diferente, mas não contava exactamente com aquilo que encontrei.
Havia um bilhete a anunciar a demissão de quatro elementos.
Fiquei a pensar no assunto.
O DIFI já não parecia o mesmo.
Ainda há pouco tempo éramos vários, havia movimento, ideias, coisas para fazer. Agora começavam a surgir ausências. Quatro pessoas tinham decidido sair e, de repente, tornava-se necessário pensar no que fazer a seguir.
Fiquei algum tempo a pensar nas medidas que poderiam ser tomadas.
O Manel convidou-me depois para irmos ao Porto.
Não me convenceu.
Preferi ficar em casa.
Passei a tarde a ler até à hora do lanche. Depois preparei-me e fui para a Academia.
No regresso encontrei uma grande movimentação em S. Pedro.
Era a festa de São Pedro e as diferentes marchas estavam paradas. Havia gente por todo o lado.
Pelos anos que já moro aqui, não me lembro de ter visto tanta gente nesta localidade.
Fiquei algum tempo a observar aquele movimento.
Depois regressei a casa.
Jantei e, mais tarde, voltei a sair para dar uma vista de olhos à festa.
A princípio pareceu-me interessante.
Mas depressa percebi que faltava qualquer coisa.
Não encontrei os amigos com quem gostaria de estar e, sem eles, aquela multidão perdeu para mim grande parte do interesse.
Acabei por regressar a casa.
Hoje percebi uma coisa simples.
Podemos estar rodeados de pessoas e, ainda assim, sentir que estamos sozinhos.
Não é a quantidade de gente que faz uma noite.
São as pessoas que procuramos no meio dela.
Talvez por isso o Manel tenha tanta importância nestes dias.
Com ele não preciso de procurar companhia.
Ela simplesmente acontece.
E começo a perceber que talvez seja essa uma das coisas que mais valorizamos numa amizade: saber que, quando saímos para o mundo, há alguém que caminha connosco.
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