Um dia de dores e espera
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 1977
Acordei com dores no braço, sobretudo no ombro esquerdo. Era consequência do treino da noite anterior e bastava mexer-me para sentir que tinha exagerado um pouco. Tomei o pequeno-almoço e depois fiquei à espera da hora do almoço. O dia parecia começar devagar, como se o corpo precisasse de mais tempo para recuperar.
Depois de almoçar deitei-me a descansar. Fiquei algum tempo a ouvir música, deixando que as horas passassem sem fazer grande coisa. Às três e meia levantei-me e fui até ao centro. Encontrei alguns colegas a jogar damas e fiquei por ali a vê-los. Mais tarde também joguei, entretendo-me naquela espécie de competição tranquila que acabou por ocupar uma boa parte da tarde.
Só saí quando o Manel me veio chamar a casa, por volta das sete e meia. Regressei com ele e, já em casa, dei uma aula à minha irmã e ao Manel. Depois dos treinos dos últimos dias, era curioso estar agora do outro lado, a ensinar aquilo que eu próprio ainda estava a aprender e a desenvolver.
À noite o Victor veio cá a casa. Ficámos a ver televisão, incluindo a «Cornélia», e ele acabou por ficar algum tempo. Mais tarde foi-se embora e fiquei novamente sozinho com os meus pensamentos.
Foi um dia sem grandes acontecimentos. O braço doía-me, a cabeça estava ocupada com as coisas de sempre e a vida continuava no seu ritmo habitual. Depois do que acontecera no dia anterior com a Lina, talvez eu esperasse alguma coisa de mim próprio, alguma resposta para aquilo que começava a sentir. Mas não apareceu resposta nenhuma. Havia apenas a lembrança daquele momento e uma inquietação que ainda não sabia explicar.
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