Um dia sem rumo
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Terça-feira, 30 de Agosto de 1977
Levantei-me muito cedo para ir ao liceu por causa de um bilhete-postal que tinha recebido. Já estava pronto para sair quando o meu pai reparou que o bilhete não era para mim, mas para a minha irmã. Fiquei logo mais descansado e acabei por não ir. O sono, porém, já se tinha perdido e, em vez de voltar para a cama, fui para a sala ouvir música e gravar algumas canções. Fiquei assim até ao meio-dia.
Depois do almoço fui até ao centro, mas não demorei muito. Voltei para casa e passei o resto da tarde na sala, novamente entretido com a música e as gravações. Aquela ocupação começava a preencher muitas das minhas horas. Havia sempre qualquer coisa para ouvir, escolher, gravar ou simplesmente descobrir.
Perto das sete e meia o Manel veio a minha casa e treinámos. Depois do jantar foi a vez do Victor, do meu pai e da minha irmã. O treino ocupou assim o resto da noite e acabou por fechar um dia que começara com uma preocupação que afinal não era minha.
Talvez os dias fossem mesmo assim. Às vezes bastava um bilhete-postal para me fazer levantar cedo e imaginar uma obrigação que não existia. Depois, descobria que não era comigo e voltava às minhas coisas. Música, gravações, treino. A vida seguia por esses pequenos caminhos, enquanto outras coisas, mais difíceis de compreender, iam acontecendo dentro de mim.
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