Um Dia no Rio
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Segunda-feira, 27 de Junho de 1977
De manhã fui com o meu pai ao Registo Civil, no Porto, para resolver o problema do meu bilhete de identidade.
No documento consta um nome que não é o meu e uma data de nascimento que também não é a minha. Toda esta confusão acabou por nos ocupar a manhã inteira. Entre explicações, papéis e esperas, quando finalmente saímos já pouco havia da manhã para aproveitar.
À tarde ainda pensei em ir ao Porto para me matricular, mas mudei de ideias.
Fiquei em casa a reparar a bicicleta.
Foi então que o Manel apareceu e acabámos por ir juntos para o rio.
Não nadei.
Ficámos por ali cerca de uma hora, o que acabou por ser suficiente para me queimar as costas. Naquele momento quase não dei importância ao sol. Só mais tarde comecei a sentir o ardor.
Regressámos passando por minha casa e, depois, fomos até à biblioteca da igreja.
Mais tarde vim embora.
Jantei e vi televisão.
Antes de me deitar no meu «buraco», entreguei ao Manel o aparelho de ginástica.
Foi mais um dia passado na companhia do Manel.
Começo a reparar que, nestas férias, estamos muitas vezes juntos. Às vezes fazemos coisas que já estavam combinadas, outras vezes basta um aparecer e o resto acontece.
Talvez seja essa a melhor parte de ter amigos.
Não é preciso preparar sempre alguma coisa.
Há dias em que basta alguém dizer «vamos» e nós vamos.
Hoje foi assim.
E talvez sejam precisamente estes pequenos «vamos» que acabam por levar a vida para lugares onde nunca pensámos chegar.
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