Festa de S. Pedro

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Terça-feira, 28 de Junho de 1977

Esta manhã dediquei-me a cuidar da bicicleta.

Fiquei ocupado durante bastante tempo a limpá-la. Gosto de tratar das minhas coisas quando tenho tempo para isso e, agora que as férias começaram, as manhãs parecem ter espaço para tudo aquilo que durante o ano fica sempre adiado.

Passei grande parte da manhã nisso.

Depois do almoço fui com o meu pai ao cinema.

Fomos ver um filme de karaté.

A tarde decorria normalmente até ao regresso a casa. Vínhamos de motorizada quando tivemos um pequeno acidente com um tractor.

Por sorte, não aconteceu nada de grave a nenhum de nós.

Ficou apenas uma pequena amolgadela no guarda-lamas e o susto.

Naqueles instantes tudo acontece depressa. Primeiro o barulho, depois a travagem, a surpresa e, finalmente, aquela sensação de alívio quando percebemos que ninguém se magoou.

Cheguei a casa, lanchei e preparei-me para ir à Academia.

O treino ajudou-me a esquecer o acidente.

Quando regressei a casa, jantei e saí novamente.

Fui ver a festa de São Pedro.

Encontrei lá o Manel e outros colegas. Havia bastante movimento e aquela animação própria das festas populares, com pessoas por todo o lado e grupos que se encontravam, se separavam e voltavam a encontrar-se pouco depois.

Fiquei por lá até à meia-noite e um quarto.




Depois regressei a casa.

Hoje aconteceu um pouco de tudo.

Uma manhã ocupada com a bicicleta, um filme com o meu pai, um susto no caminho, o treino e, finalmente, a festa.

Talvez seja esta a diferença das férias.

Os dias já não parecem ter um único rumo.

Há sempre qualquer coisa que aparece pelo caminho e nos faz mudar de direcção.

E, por enquanto, gosto disso.

Talvez seja bom não saber exactamente como termina cada dia.


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