Noite de Disparates
← Página Anterior | Índice | Página Seguinte →
Quarta-feira, 29 de Junho de 1977
De manhã, eu e o Manel limpámos a minha bicicleta.
Depois ficámos os dois a ler durante algum tempo. A manhã passou assim, entre a bicicleta, os livros e a nossa companhia. Mais tarde o Manel foi embora e fiquei para almoçar.
À tarde fomos até Valongo com outro colega. A ideia era irmos de bicicleta, mas, por sorte, acabámos por fazer parte do percurso numa camioneta de carga.
Quando chegámos a casa do colega do Manel, que era o destino do nosso passeio, ficámos por lá até às quatro horas.
Depois regressámos.
O resto da tarde passou-se a andar de um lado para o outro, sem grande destino. Eram férias e parecia haver tempo para tudo.
À noite fui com alguns colegas à festa de São Pedro.
Divertimo-nos um pouco.
Em determinada altura fumei e fiquei logo tonto. Não estava habituado e percebi rapidamente que não tinha sido uma grande ideia.
A noite foi ganhando aquele espírito de disparate próprio da idade.
A certa altura, juntámo-nos e resolvemos tentar assaltar a casa do padre para conseguir uma grade de cervejas.
Não conseguimos.
A ideia ficou por ali, entre a vontade de fazer uma asneira e a falta de coragem ou de oportunidade para a levar até ao fim.
Antes de vir embora, eu e o Manel fomos a casa de um colega.
Bebemos até ficarmos embriagados.
Depois fomos a casa do Manel para tentar arranjar outra garrafa.
Não conseguimos.
O pai dele apareceu e, nessa altura, percebemos que era melhor acabar por ali.
Viemos embora.
Agora, ao escrever isto, acho graça a certas coisas que fazemos quando somos adolescentes.
Temos uma idade em que queremos experimentar tudo, mesmo aquilo que sabemos que talvez não devêssemos experimentar. Às vezes pensamos que estamos apenas a brincar. Outras vezes nem pensamos.
Hoje foi uma dessas noites.
Não foi uma noite importante.
Foi apenas uma noite de disparates.
Mas talvez também faça parte de crescer, errar, exagerar, rir depois e, no dia seguinte, continuar a ser a mesma pessoa, embora já com mais uma pequena história para contar.
Comentários
Enviar um comentário