Música, Amizade e Verão
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Quinta-feira, 30 de Junho de 1977
De manhã o Manel veio cedo a minha casa.
Começámos por fazer ginástica com o meu aparelho de musculação e depois ficámos juntos até à hora do almoço.
Passámos grande parte da manhã a gravar algumas músicas. Entre uma gravação e outra ainda estivemos a ver uns planos para um foguetão. As ideias iam surgindo umas atrás das outras e, naquela altura, parecia perfeitamente natural passar da música para a construção de um foguetão como se tudo fizesse parte da mesma coisa.
Depois almocei.
À tarde fui a casa do Manel com o meu flautim.
Mais tarde fomos a casa de outro colega. Ficámos por lá a tocar algumas canções até às quatro horas.
Depois seguimos para a biblioteca do grupo coral.
Continuámos a cantar e ficámos por lá até perto das sete e meia.
Quando cheguei a casa vi televisão e li um pouco.
Depois jantei.
Mais tarde voltei a sair com o Manel.
Antes de regressarmos ainda estivemos algum tempo no adro da igreja, conversando e vendo o movimento à nossa volta.
Agora, ao escrever, penso em como estes últimos dias têm sido diferentes.
Tenho passado muito tempo com o Manel e com outros colegas. Há sempre qualquer coisa para fazer, mesmo quando não existe nada que esteja realmente marcado.
Hoje foram músicas, um flautim, planos para um foguetão, cantigas e uma conversa no adro da igreja.
Coisas pequenas.
Mas sinto que estou a viver os dias de uma maneira diferente.
Talvez as férias sejam mesmo isto, ter tempo para experimentar, para inventar, para andar de um lado para o outro sem saber exactamente onde vamos parar.
E talvez seja bom que assim seja.
Ainda não sei que direcção vão tomar estes dias.
Por enquanto, basta-me vivê-los.
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