Um dia sem grandes desvios
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 1977
Hoje é feriado nacional, mas o dia começou quase como tantos outros. Pouco depois das sete horas levantei-me e treinei com o Manel, o meu pai e a minha irmã Celeste. O treino prolongou-se até depois das dez e, quando terminámos fui com o Manel até à igreja. Não chegámos a entrar. Ficámos por ali e, quando a missa acabou, falei com a Lina e depois vim embora.
Havia qualquer coisa de curioso naquele encontro. Mesmo quando não combinávamos propriamente estar juntos, acabávamos por nos encontrar. Bastava um lugar, uma hora e uma coincidência. E eu já começava a contar com essas coincidências como se fossem uma coisa normal.
O resto do dia foi mais calmo. Não houve nenhum acontecimento que se impusesse aos outros. Talvez por isso tenha ficado mais atento àquilo que se passava dentro de mim. A Lina ocupava um espaço crescente nos meus pensamentos, mas eu ainda não sabia muito bem que nome dar àquilo. Depois do que acontecera nas últimas semanas, já não conseguia chamar-lhe simplesmente amizade.
O mais estranho era que tudo parecia acontecer sem uma decisão clara. Não houve um momento em que eu tivesse acordado e decidido apaixonar-me por ela. Foram os encontros, os beijos, as esperas, as pequenas preocupações e até as discussões dos outros que foram mudando a maneira como a via.
E eu começava a perceber que, quanto mais natural aquilo se tornava, mais difícil seria fingir que não significava nada.
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