Um Novo Caminho

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Sábado, 25 de Junho de 1977

Levantei-me cedo.

Hoje fui com o meu pai ao Porto para fazer um teste no Jornal de Comércio, para estagiário. Confesso que ia um pouco nervoso. Não sabia exactamente o que me esperava e, apesar de tentar não pensar demasiado nisso, a ideia de fazer um teste para trabalhar durante as férias deixava-me apreensivo.

O teste terminou por volta das doze e meia.

Quando saí, senti algum alívio. O mais difícil era estar ali, sentado perante uma prova cujo resultado podia decidir se teria ou não trabalho durante as férias. Agora já estava feito.

Regressei com o meu pai.

Depois do almoço fui para o DIFI.

Passei lá parte da tarde e, mais tarde, fui com o Manel ensaiar. Tivemos também uma reunião em casa do padre. Entre o ensaio, a reunião e as conversas que se foram fazendo, a tarde passou depressa.

Regressei a casa ao fim do dia.

Jantei e vi um pouco de televisão.

Mais tarde voltei a sair para ir às marchas.

Quando regressei, ainda tive tempo de vir a casa ver um filme.

O dia acabou por ficar cheio de coisas diferentes.

De manhã, o teste no jornal.

À tarde, o DIFI, o ensaio e a reunião.

À noite, as marchas e ainda um filme antes de dormir.

Há qualquer coisa de diferente nestes dias.

Durante o ano tudo parecia organizado à minha volta. A escola marcava as horas e os dias tinham quase sempre o mesmo princípio e o mesmo fim.

Agora as coisas começam a acontecer umas atrás das outras.

Não sei ainda se vou conseguir o estágio.

Também não sei o que estas férias me vão trazer.

Mas começo a perceber que talvez esteja na altura de experimentar coisas novas.

Talvez seja isso que significa crescer, começar a tomar decisões sobre o que queremos fazer, mesmo quando ainda não sabemos muito bem onde elas nos vão levar.


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