A Noite de São João

← Página Anterior | Índice | Página Seguinte →

Sexta-feira, 24 de Junho de 1977

Cheguei a casa às cinco da manhã.

A noite de São João foi longa e bastante movimentada. Houve de tudo um pouco, atropelos, barulho, graças, confusão e, sobretudo, muitos quilómetros feitos a pé. Quando finalmente regressei, tinha os pés doridos e sentia no corpo o cansaço de toda aquela noite.

Ao chegar a casa encontrei a porta fechada.

Bati e a minha mãe veio abrir.

Entrei sem dizer grande coisa e fui imediatamente deitar-me.

Só voltei a levantar-me perto do meio-dia.

Depois do almoço descansei ainda um pouco antes de sair para o DIFI.

O dia parecia continuar com a mesma agitação da noite anterior, embora eu já sentisse necessidade de algum sossego. No DIFI tratei das actividades que estavam previstas e fiquei por lá durante algum tempo.

Quando vim embora, o meu pai levou-me à Academia.

Assistiu a um treino do meu mestre e ficou a ver os exercícios durante as duas horas que estivemos lá. Depois regressámos juntos a casa.

Jantei.

Apesar do cansaço, ainda fui ter com o Manel às marchas.

A festa aproxima-se e os ensaios continuam. Há sempre qualquer coisa para fazer, alguém para chamar, algum passo para repetir ou simplesmente uma conversa que se prolonga depois do ensaio.

Quando finalmente regressei a casa, senti o peso de tudo o que tinha acontecido desde a noite anterior.

Há noites que parecem maiores do que um dia inteiro.

Esta foi uma delas.

Enquanto escrevo, ainda sinto o cansaço nos pés e no corpo, mas não me arrependo de ter saído.

Talvez seja isto que as férias têm de diferente.

O tempo deixa de estar dividido por campainhas e horários e passa a ser feito destas coisas, noites que acabam de madrugada, tardes que começam devagar, amigos que aparecem e desaparecem, e dias que parecem não ter princípio nem fim.

Ainda estou a aprender a viver neste novo ritmo.

E, por estranho que pareça, começo a gostar dele.


← Página Anterior | Índice | Página Seguinte →


Comentários