"Amo-te"... disse pela primeira vez

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Domingo, 6 de Novembro de 1977

Há muito que esperava por este dia e, finalmente, aconteceu.

Declarei-me pela primeira vez a uma rapariga. Disse-lhe «amo-te», num momento de loucura de paixão. Foi uma palavra que saiu de mim quase sem que tivesse tempo para pensar, como se tudo aquilo que vinha sentindo há tanto tempo tivesse encontrado, de repente, uma forma de ser dito.

Ela, a Lina, não esperava. Ficou muda, de alegria, creio. Durante alguns instantes não ouvi a resposta que tanto desejava, mas mais tarde, antes de me despedir dela, ouvi finalmente a palavra que tanto esperava e desejava.

O meu coração palpitou muito forte e o meu corpo estremeceu, sacudido por uma energia febril que parecia desatar-se de todas as veias.

Depois beijámo-nos. Os beijos que trocámos tinham já outro sabor, denso e vertiginoso, desprovido de qualquer inocência passageira. Já não eram os mesmos de antes, porque agora havia entre nós uma certeza irrevogável que até então não tinha sido dita. Os nossos corpos fundiram-se numa carícia virginal e trémula, ardendo numa urgência magnética que nos puxava um para o outro sem defesa possível. Senti a pressão suave e firme dos seus seios contra o meu peito numa batida idêntica à minha, as suas pernas procurando instintivamente as minhas num abraço total, e uma melancolia vaga, feita de uma felicidade tão extrema que quase doía, trespassou-me a alma.

Naquele instante de pele contra pele, em que cada arfar de fôlego se misturava no mesmo eco, o que mais desejávamos era que o tempo parasse e nos deixasse viver eternamente aquele contacto absoluto.

Ou então poderia morrer ali.

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