Boatos e Inveja
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Terça-feira, 8 de Novembro de 1977
De novo começam a circular os boatos contra mim e a Lina.
Tenho a consciência tranquila e, por isso, não são propriamente os boatos que me preocupam. O que me incomoda é perceber que, por detrás deles, há uma intenção de ferir alguém. E esse alguém não sou apenas eu. É também a Lina.
Vejo nisto tudo um ódio e uma inveja que, sinceramente, não consigo compreender. Há pessoas que parecem não suportar aquilo que existe entre nós e procuram, através de histórias e comentários, criar dúvidas onde elas não existem.
Sinceramente, não sei se tenho muitos ou poucos inimigos. Sei, sim, que os tenho.
A mim chegam histórias da vida passada da Lina. Contam-me coisas, fazem-me chegar palavras e procuram talvez que eu veja nela uma pessoa diferente daquela que conheço. Mas, mesmo que tenha sido tudo verdade, o que me interessa isso? O passado é dela e não é isso que me faz estar ao seu lado. A mim só me interessa o presente e o futuro.
Eu conheço a Lina como ela é comigo e é isso que conta. Não posso construir aquilo que sinto por ela a partir daquilo que os outros dizem, sobretudo quando essas palavras vêm acompanhadas de más intenções.
Quanto à Lina, chegam-lhe aos ouvidos também histórias de mim, que, diga-se de passagem, não têm qualquer fundamento. Parece que há quem queira fazer connosco aquilo que não consegue fazer directamente. Criam histórias, espalham-nas e esperam que elas acabem por nos separar.
Mas que me interessa a mim o que para aí dizem?
Sei aquilo que sinto e sei também aquilo que ela sente. Depois de tudo o que aconteceu entre nós, já não vivemos apenas daquilo que os outros pensam ou dizem.
Amo-a e ela a mim. Isto é que importa.
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