Uma decisão nossa
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 1977
Os pais da Lina dizem querer o bem dela, pedindo-lhe que me deixe. A minha mãe faz o mesmo comigo. É quase de crer que não vivemos no século XX e que não somos civilizados. Os pais é que decidem o futuro dos filhos?
Não, claro que não. Esse tempo já passou. Somos livres de escolher, mal ou bem, somos livres. Podemos errar nas nossas escolhas, podemos arrepender-nos delas, mas a vida é nossa e somos nós que temos de a viver.
Ainda assim, parece que essa liberdade não existe quando se trata da nossa vida pessoal. Querem decidir por nós aquilo que devemos fazer e, sobretudo, aquilo que devemos sentir. Mas a nossa vida pessoal somos nós que a resolvemos, ainda que tenhamos de viver num ambiente déspota.
Eu e a Lina já pensamos verdadeiramente sobre o nosso futuro. Não estamos apenas a viver o momento. Pensamos no que poderá acontecer e nas dificuldades que poderão surgir. Sabemos que os nossos pais não aceitam a nossa relação e que poderão tentar criar obstáculos entre nós.
E, se qualquer entrave nos vierem a pôr em relação à nossa união, ver-nos-emos na obrigação de a adiantar e de nos casarmos.
Foi esta a decisão que tomámos como única possível.
Mais um plano atrás de outro, mas o objectivo é o mesmo.
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