O medo da separação

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Quinta-feira, 10 de Novembro de 1977

Tenho de deixar de ser optimista e começar a ver as coisas pelo lado certo.

Até agora não via nada que pudesse impedir o que sinto pela Lina. Pensava que nada nos separaria e que, acontecesse o que acontecesse, encontraríamos sempre uma maneira de continuar juntos.

Agora tenho outra visão, mais séria, sobre o problema. Já vejo a possibilidade de nos separarem e isso assusta-me, sobretudo porque essa possibilidade está precisamente ligada àquilo por que tanto lutei para que se concretizasse.

Quero ir para Moçambique. Foi uma vontade pela qual tanto lutei e, agora que essa possibilidade se aproxima, vejo que pode também tornar-se naquilo que nos venha a separar. Se o meu pai for, eu nada posso fazer para impedir que isso aconteça.

Resta-me ter fé. Tenho fé que o meu pai, se for, decida esperar, no mínimo, quatro anos para obter aquilo que pretendo e que depois nos chame.

Acredito no que sentimos um pelo outro e é essa confiança que me faz continuar a acreditar que, apesar de tudo, conseguiremos vencer esta dificuldade.

Não posso deixar de pensar no futuro. Até aqui olhava para ele com optimismo. Hoje vejo também os perigos que podem surgir e percebo que nem tudo depende de nós.


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