Tempo de versejar

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Sexta-feira, 11 de Novembro de 1977

Hoje foi um dos dias em que me senti encorajado a versificar todos os meus pensamentos. Senti necessidade de pôr em versos aquilo que me ia passando pela cabeça, talvez porque há coisas que, ditas de outra maneira, parecem não encontrar a forma certa de sair de dentro de nós.

Pena foi que não possuísse nenhum material apropriado para aquele momento. Um caderno da escola bastou. Mesmo assim, sentei-me naquele banco de jardim e deixei que os pensamentos fossem tomando forma.

"Sentei-me naquele banco de jardim,
em frente o poente e o sol no ocaso.
Difusamente a luz me tocava de leve nas faces
E um arrepio me percorria de ponta a ponta
Deixando-me quedo e silencioso.
O que mais me atraiu naquele jardim
Foi um mudo e inanimado candeeiro a gaz
Uns metros atrás no seu esquecimento
Alto, bruto e liso.
Os rendilhados foram esquecidos,
Resta ainda a recordação
Do velho que se senta a seu lado
Recordando o antigo banco de ferro
Onde tantas vezes se sentara
E expiara os seus sentimentos
Onde outrora, sob aquela débil luz
Revelara os seus segredos e paixões,
Mas isso passou,
Agora tudo é grande, bruto e malcheiroso."

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