Um mundo que desaparece

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Sábado, 12 de Novembro de 1977

Estes meus «tiques» pouco usuais são, para mim, como uma explosão no pó e nas teias que, no meu interior, são tecidas.

São momentos súbitos em que sinto necessidade de deitar cá para fora aquilo que tenho dentro de mim. Depois dessas «explosões», caio em mim como que desfalecido. Fico perante mim próprio e perante os meus pensamentos, num silêncio que às vezes parece ainda mais escuro do que aquele que o precedeu.

E esse escuro menos escuro mete-me medo.

Tenho medo da morte, daquele fantasma quedo e mudo que aparece e desaparece segundo o chamado «destino» de cada um.

Rico ou pobre, santo ou diabo, sábio ou néscio, todos vão. Nenhum cá fica.

E, pensando bem, irei mais longe. Ninguém cá ficará.

Talvez seja esta uma das coisas que mais me impressionam quando penso na vida. Por mais diferentes que sejamos, por mais que cada um tenha o seu caminho, as suas preocupações e os seus pensamentos, há no fim qualquer coisa que é igual para todos.

Todos vão.

Nenhum cá fica.


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