Começa o luto
Sábado, 18 de Fevereiro de 1978
Passo parte do meu tempo livre a estudar. A outra parte passo a sonhar. Vivo mais na imaginação do que fora dela, e na imaginação tudo é possível, tudo é fantástico, nada me falta.Às vezes imagino-me com poderes que não tenho. Chego a ver a vida inútil, de tão fácil que ela seria. Outras vezes, e são mais essas, imagino-me à frente da Lina e imagino que tenho o poder de lhe dar tudo. Não sei o que lhe daria. Sei que daria tudo.
Tudo depende do meu estado de espírito. Há dias em que sou infeliz, derrotado, e em que vejo em cada pessoa uma vitória contra mim. Há dias em que sou um ser superior, que se quer ultrapassar. Não sou nem uma coisa nem outra. Sou as duas, conforme a hora.
Hoje é um desses momentos de verdade nua e crua. Gosto de ver as coisas como elas são. Não volto atrás com o que disse, mesmo quando me arrependo de o ter dito. É uma teimosia, e é minha.
Começa o luto da separação. Não sei se isto que escrevo é o começo. Mas sinto que é.
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