Nada se transforma

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 1978

Hoje não fiz nada de especial. O dia passou-se como os outros, e à noite, quando peguei na caneta, saiu-me isto:

Nada se transforma, 
é-se transformado. 
E isso não é justo. 
Uns tudo fazem 
para se transformarem 
e não se transformam.

É mais bela a observação 
dos ciclos da natureza 
do que a evolução do homem. 
Numa tudo é natural, 
noutra tudo é plástico. 
Naturalmente 
seríamos selvagens, 
ou então uma peça 
de um computador, 
programada 
para se autodestruir.

Qual o caminho melhor? Pois é, um beco sem saída. 
A preferência de uns seria a natureza, mas como predadores ou parasitas. 
Outros preferem o mundo louco, falso, sem fundo, sem medo aparente pela morte, vivendo de ilusões, transformando, mas sem nunca se transformar.

Não é justo.

Fiquei com aquilo na cabeça. Não é sobre a Lina, ou talvez seja. Às vezes escrevo uma coisa e só depois percebo que estava a falar de outra.


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