Deixa-me viver…

Sexta-feira, 26 de Maio de 1978

Hoje escrevi como quem pede alguma coisa que já não sabe se pode ter. Não procurei grandes explicações. Apenas deixei sair aquilo que ainda queria dizer.

Deixa-me viver…

Imploro a tua presença
Ó dama de meu coração
Não há morte que me vença
Antes de possuir a tua mão.
Ó dama que alegrias
Me trouxeste em ilusão
Que ao sorrires me dizias
Aqui tens meu coração.
Ó rude nó que me sufoca
Ó vã cobiça de amar
Escuta a minha alma que te invoca
Não ter coragem de odiar.
O apelo é fundo, do coração.
Imploro, ó dama, o teu amor
Que perdi por traição ou por pavor.
Dá-me um pouco de consolação.
Deixa-me sonhar o meu sonho
Já que viver não consigo.
Não me acordes, deixa-me só.
Apelo à tua razão para comigo.
Quero amar-te e não me oponho.
Deixa-me viver, tem dó.



Navegação — Diário

Comentários