Divagações sobre a liberdade

Sábado, 8 de Abril de 1978

Liberdade!

É uma palavra cheia de responsabilidades e, talvez por isso mesmo, uma palavra que todo o ser humano procura.

Quando penso em liberdade, não penso apenas em poder fazer aquilo que quero. Há qualquer coisa mais difícil. A liberdade também tem a ver com o bem-estar físico e moral, com a possibilidade de viver sem estar constantemente preso a alguma coisa que nos obrigue a ser diferentes daquilo que somos.

É uma meta que parece estar sempre a um passo de distância e, ao mesmo tempo, uma unidade de comprimento infinita.

Chega a parecer contraditório.

Por natureza, todo o ser vivente nasce livre e selvagem no seu habitat. Ser selvagem não significa necessariamente impor-se aos outros. Significa viver segundo um ciclo que, provavelmente, nunca mudaria se um animal chamado homem não tivesse começado por imitar e depois a desenvolver-se para além daquilo que o rodeava.

A força subsistiu como um dom.

A astúcia apareceu como o dom contrário.

E, no entanto, há qualquer coisa mais poderosa do que o homem.

O próprio homem.

É curioso pensar nisso. Somos capazes de construir, modificar e dominar aquilo que encontramos, mas também somos capazes de destruir exactamente as mesmas coisas.

O que o homem faz, também desfaz.

Talvez a liberdade seja isso também. Não apenas poder escolher o caminho, mas ter consciência de que cada escolha pode construir alguma coisa ou destruí-la.

E talvez seja por isso que seja tão difícil ser verdadeiramente livre.



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