Entre o receio e a sorte

Segunda-feira, 2 de Janeiro de 1978

Hoje, quando fui esperar a Lina, levava comigo um receio que não conseguia afastar. Esperava que ela me dissesse alguma coisa desagradável ou que aparecesse o pai dela. Qualquer dessas possibilidades me inquietava e fazia com que a espera tivesse outro peso.

Mas nenhuma delas aconteceu.

Felizmente, tudo correu pelo melhor. Estive com a Lina e, para mim, isso é o que conta. Por vezes basta que as coisas aconteçam de uma determinada maneira para que aquilo que parecia ameaçador perca importância. Hoje foi assim.

Fico, no entanto, a pensar nas minhas próprias suposições.

Tenho andado a experimentar uma experiência de PES e já tive aquilo que considero algumas provas positivas. Talvez por isso me aconteça antecipar certas coisas, como se uma parte de mim tentasse adivinhar aquilo que está para acontecer.

Mas prefiro acreditar na sorte dos encontros.

É mais simples assim. Em vez de procurar sinais e tentar descobrir antecipadamente o que me espera, prefiro confiar naquilo que acontece quando chega o momento. Hoje, por exemplo, podia ter acontecido aquilo que eu receava. Não aconteceu.

E talvez seja essa a melhor lição deste dia: nem sempre aquilo que imaginamos antes de um encontro corresponde ao que encontramos quando ele acontece.

Hoje fui à procura da Lina com receio.

Voltei com a tranquilidade de quem, afinal, teve apenas mais um encontro com ela.

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