Fechados a sete chaves
Segunda-feira, 9 de Janeiro de 1978
Hoje faltei à última aula no liceu para estar com a Lina.
Quero estar com ela, mas também quero desculpar-me pelo que aconteceu ontem. Fiquei ainda a pensar naquilo que quase deitei a perder e senti necessidade de lhe mostrar que reconheci o meu erro.
A Lina compreende-me.
Essa compreensão deixa-me feliz. Talvez porque, depois de toda a tensão, eu esperasse que fosse mais difícil. Afinal, encontro nela uma pessoa que me ouve e que consegue compreender aquilo que às vezes nem eu próprio consigo controlar.
Há momentos em que uma simples atitude vale mais do que muitas explicações.
Hoje sent1 isso.
Penso também na nossa história e na maneira como nos encontrámos. Não quero acreditar que tudo tenha acontecido apenas por acaso. Quero dizer isto eternamente, porque é uma ideia que me sai de dentro e que desejo conservar.
O que existe entre nós quero guardá-lo como uma coisa preciosa.
Imagino o seu amor e o meu juntos na mesma caixa, fechados a sete chaves. É uma imagem simples, mas dá-me uma enorme consolação. Como se aquilo que sentimos pudesse ficar protegido de tudo o que vem de fora.
Amo-a.
Que mais posso dizer?
Há palavras que parecem pequenas quando aquilo que sentimos é maior do que elas. Hoje não encontrei nenhuma que seja mais terna do que esta.
E, apesar de tudo o que me inquietou nos últimos dias, hoje estou feliz.
Talvez porque, depois da dúvida, encontrei novamente a certeza de que ainda estamos juntos.
Comentários
Enviar um comentário